quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Eu sigo sem fazer barulho

Eu preciso parar de guardar sentimentos. Sentimentos, desafetos e lágrimas.
Mas tal qual, preciso sair falando ao sete ventos sobre as cores do meu mundo?
Às vezes, vejo essa minha redonda Terra com cores gris e não acho que ela seja monótona. Prefiro a discrição pastel ao color block. Eu vejo beleza em meus dias cinzas.
Aprendi a seguir o meu caminho carregando, em meus ombros, uma tonelada de pitangas. Ora doces, ora azedinhas. A vida é assim.
Não almejo sonhos de ninguém porque determinadas realizações não fazem parte da minha lista de projetos. Muito menos desejo a vida de outrem. Jamais trocaria meus trinta e poucos anos pela inexperiência e insensatez. São seis por meia dúzia. Pra quê?
Ainda assim, percebo em mim uma bagagem infindável de pitangas, acerolas, melancias e jabuticabas que tenho orgulho em carregar. A carga é pesada, sim. O cansaço é inevitável. Mas aí, vem uma brisa leve, refrescante – diferente dos sete ventos –, que faz com que as dores do mundo sejam leves.
E ao sentir essa brisa leve, volto atrás. Guardo os meus sentimentos porque não vale a pena externar meus dias cinzas para pessoas que dizem viver em trevas.

E eu sigo sem fazer barulho, apenas sentindo o vento.

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