Depois dos 30 anos, ela tomou a difícil decisão: comprar um maço de cigarros.
Não houve, diretamente, ninguém em sua família que acendesse um careta para que ela mirasse nesse terrível exemplo. Mesmo assim, tomou a decisão.
Na adolescência, juventude, filava dos amigos um cigarrinho aqui e ali, acompanhado daquela cervejinha, no final de semana. Mas nada que gerasse dependência.
Seguiu para a padaria num horário de pouco movimento, comprou pães, leite, biscoito e, na hora de pagar, respirou fundo e pediu um maço de cigarros. Escolheu a marca mais comum e pediu também um isqueiro.
Quando a moça do caixa lhe entregou o maldito, olhou timidamente para baixo. Sabia que o mal estava apenas começando.
Ao pagar a conta, reparou que a carteira de cigarros imprimia no verso informações sobre dependência química que poderia levar o usuário à morte. Dispensou o maço, pedindo à atendente que lhe desse o que causasse impotência sexual. Sim, impotência sexual.
Naquele momento, sexo era o que menos importava. Acender um cigarro era o prazer mais real que poderia lhe acontecer; a fumaça sairia, poeticamente, de seus pulmões, levando boa parte de seus problemas; soluções, ela esperaria que entrasse.
Sentiu-se tonta, enjoada. Apagou o cigarro na metade e escondeu o maço de si própria.
Riscado e rabiscado. Mexido e remexido. É com a vontade apenas de escrever. Desembucho. Para mim mesma.
quinta-feira, 28 de novembro de 2013
quarta-feira, 27 de novembro de 2013
Dentro de mim
O muito que apareço esconde quem realmente sou.
O vazio que para muitos é algo incômodo, para mim, é lugar comum.
Estranho é sentir o desejo de outrem; ser motivo de um sorriso bobo.
Calha para mim a companhia dos amigos, do vinho ou de um bom livro. Um bichano, talvez, possa ser um bom amigo.
Quando me escondo são as almofadas do tempo que me aconchegam, como um abraço desengonçado.
Eu me desmantelo.
O pouco que permaneço longe do meu templo é suficiente para dilacerar aquilo que é mais de mim.
O vazio que para muitos é algo incômodo, para mim, é lugar comum.
Estranho é sentir o desejo de outrem; ser motivo de um sorriso bobo.
Calha para mim a companhia dos amigos, do vinho ou de um bom livro. Um bichano, talvez, possa ser um bom amigo.
Quando me escondo são as almofadas do tempo que me aconchegam, como um abraço desengonçado.
Eu me desmantelo.
O pouco que permaneço longe do meu templo é suficiente para dilacerar aquilo que é mais de mim.
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