sábado, 8 de março de 2014

Lembranças

Você sempre será a lembrança e o desejo guardado em meu coração.
É você quem habita meu inconsciente, meus sonhos.
Dançamos em Paris na última vez...
Ali, a parte era o todo. E você tornou-se inteiro para mim.
Minha alma.

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Em seu tempo

Há muito ainda que se aprender com as noites em silêncio.
As estrelas frias e distantes sussurram segredos que, em seu tempo, serão revelados.
Enquanto isso, acalma-se a inquietude. Conforma-se com o vazio. Aceita a espera.
Espera. Há muitas estrelas a sussurrar neste universo.

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

O cigarro

Depois dos 30 anos, ela tomou a difícil decisão: comprar um maço de cigarros.
Não houve, diretamente, ninguém em sua família que acendesse um careta para que ela mirasse nesse terrível exemplo. Mesmo assim, tomou a decisão.
Na adolescência, juventude, filava dos amigos um cigarrinho aqui e ali, acompanhado daquela cervejinha, no final de semana. Mas nada que gerasse dependência.
Seguiu para a padaria num horário de pouco movimento, comprou pães, leite, biscoito e, na hora de pagar, respirou fundo e pediu um maço de cigarros. Escolheu a marca mais comum e pediu também um isqueiro.
Quando a moça do caixa lhe entregou o maldito, olhou timidamente para baixo. Sabia que o mal estava apenas começando.
Ao pagar a conta, reparou que a carteira de cigarros imprimia no verso informações sobre dependência química que poderia levar o usuário à morte. Dispensou o maço, pedindo à atendente que lhe desse o que causasse impotência sexual. Sim, impotência sexual.
Naquele momento, sexo era o que menos importava. Acender um cigarro era o prazer mais real que poderia lhe acontecer; a fumaça sairia, poeticamente, de seus pulmões, levando boa parte de seus problemas; soluções, ela esperaria que entrasse.
Sentiu-se tonta, enjoada. Apagou o cigarro na metade e escondeu o maço de si própria.

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Dentro de mim

O muito que apareço esconde quem realmente sou.
O vazio que para muitos é algo incômodo, para mim, é lugar comum.
Estranho é sentir o desejo de outrem; ser motivo de um sorriso bobo.

Calha para mim a companhia dos amigos, do vinho ou de um bom livro. Um bichano, talvez, possa ser um bom amigo.
Quando me escondo são as almofadas do tempo que me aconchegam, como um abraço desengonçado.
Eu me desmantelo.
O pouco que permaneço longe do meu templo é suficiente para dilacerar aquilo que é mais de mim.

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Minha flor

Ela entrou em minha vida num sábado ensolarado do mês de outubro.
Eu havia visto um panfleto divulgando uma feira de adoção em um shopping. Aquele era o sinal.
Estava sozinha, precisando de uma companhia para preencher os meus dias.
Mas não estava à procura dela. Ou de algum de sua espécie. Eu queria um gatinho. Um bichinho mais independente. Estava também com saudades do meu primeiro bichinho de estimação.

Mas, não havia nenhum bichano para levar pra casa e, a cada momento, um peludo saía com uma nova família. Na verdade, eu não a escolhi. Para mim seria uma tarefa difícil, entre tantos escolher um cão para levar pra casa. Eu levaria todos!

Mas ela estava ali, no cercadinho dos filhotes, deitada e solitária. A voluntária me dizia que ela estava muito triste e depressiva. Quem sabe era a hora de desfazer de toda aquela tristeza?

Aquela peluda preencheu meu coração no mesmo instante. O olhar distante, de repente, se aproximou e nunca mais deixou de olhar para mim.
A flor mais bonita do meu jardim tem um nome singelo, tem um perfume discreto. Ela foi capaz de devolver alegria para minha vida, capaz de me transformar e tornar-me uma pessoa bem melhor.

Hoje, no dia de São Francisco de Assis - protetor dos animais, eu só tenho que agradecer por ter sido adotada pela Margarida.

Essa vira-latinha ou mini labrador que é a flor mais bonita do meu jardim!





sábado, 21 de setembro de 2013

O que você vai ser quando crescer?

Enquanto cada coleguinha da escola respondia que seria médico, dentista, professora ou a profissão dos pais, eu respondi que seria AEROMOÇA. Mal sabia o que era aquela profissão e nunca tinha andado de avião. Mas a palavra me despertava encantos.
Quando escrevia meu nome completo, abreviava o último sobrenome por achar que ele era simples demais e rebuscava, com todo orgulho GAZZINELLI.
Mas, quando encarnava o papel de professora dos meus bichos de pelúcia e bonecos, meu sobrenome sempre era CAVALCANTI. Achava interessante!
Mais tarde, já bem crescida, encontrei em uma revista semanal, a profissão dos meus sonhos: VIROLOGISTA. Mas meu sonho não durou cinco segundos. Foi o tempo de ler o parágrafo e entender do quê se tratava a profissão.
Sempre achei fascinante a conjugação do PRETÉRIO MAIS QUE PERFEITO. Os verbos ficavam elegantes, empinados. Parecíamos estar nos séculos XVII e XVIII.
E as palavras OXÍTONAS, PAROXÍTONAS, hein? Que lindeza! Mas a melhor de todas é a PROPAROXÍTONA. Soberana!
Eu nunca fui aquela aluna nota 10. Sempre fui MEDIANA, mas guardei com carinho as palavras, digo, os ensinamentos do período escolar e da convivência com os outros.
Cada disciplina me deixou um LEGADO de palavras bonitas; significados; sons e aí, faço delas poesia.
Mesmo odiando Física e Matemática, guardei dessas temíveis disciplinas lindas palavras: QUÂNTICA e OBTUSO, RESPECTIVAMENTE.
Na Química não tem nada mais interessante que a tal da LIGAÇÃO PEPTÍDICA. Alô?
E na Biologia? Caio de boca! ALELOS, GINECEU, ANDROCEU, ESTREPTOCOCOS, DIPLOCOCOS...
E alguém sabe o que é INTEMPERISMO? CENOZOICO? MESOZOICO? Podem até ser palavras da Geografia, mas são músicas para meus ouvidos!
Da minha disciplina preferida, a História, nunca me esqueci da guerra dos EMBOABAS, do FEUDALISMO e dos INCONFIDENTES.
Mas nada disso existiria se não fosse o PORTUGUÊS. Essa língua majestosa. Confesso, não conheço 1/5 de suas regras e ordens. Mas tenho verdadeira admiração pela nossa língua. Valorizo um LINGUAJAR impecável.
E sugiro: imagine trocar um xingamento comum por um “Seu ANACOLUTO!” ou escrever esta mesma frase com uma letra bem ESCALAFOBÉTICA. Experimente!
Não deveria ter escolhido nada diferente do que sou hoje. Palavras me encantam muito mais do que qualquer gesto. Deve ser por isso que vivo escrevendo. Seja num pedaço de papel ou nesta folha eletrônica aqui.

E, afinal, o que sou?

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Eu sigo sem fazer barulho

Eu preciso parar de guardar sentimentos. Sentimentos, desafetos e lágrimas.
Mas tal qual, preciso sair falando ao sete ventos sobre as cores do meu mundo?
Às vezes, vejo essa minha redonda Terra com cores gris e não acho que ela seja monótona. Prefiro a discrição pastel ao color block. Eu vejo beleza em meus dias cinzas.
Aprendi a seguir o meu caminho carregando, em meus ombros, uma tonelada de pitangas. Ora doces, ora azedinhas. A vida é assim.
Não almejo sonhos de ninguém porque determinadas realizações não fazem parte da minha lista de projetos. Muito menos desejo a vida de outrem. Jamais trocaria meus trinta e poucos anos pela inexperiência e insensatez. São seis por meia dúzia. Pra quê?
Ainda assim, percebo em mim uma bagagem infindável de pitangas, acerolas, melancias e jabuticabas que tenho orgulho em carregar. A carga é pesada, sim. O cansaço é inevitável. Mas aí, vem uma brisa leve, refrescante – diferente dos sete ventos –, que faz com que as dores do mundo sejam leves.
E ao sentir essa brisa leve, volto atrás. Guardo os meus sentimentos porque não vale a pena externar meus dias cinzas para pessoas que dizem viver em trevas.

E eu sigo sem fazer barulho, apenas sentindo o vento.