quinta-feira, 28 de novembro de 2013

O cigarro

Depois dos 30 anos, ela tomou a difícil decisão: comprar um maço de cigarros.
Não houve, diretamente, ninguém em sua família que acendesse um careta para que ela mirasse nesse terrível exemplo. Mesmo assim, tomou a decisão.
Na adolescência, juventude, filava dos amigos um cigarrinho aqui e ali, acompanhado daquela cervejinha, no final de semana. Mas nada que gerasse dependência.
Seguiu para a padaria num horário de pouco movimento, comprou pães, leite, biscoito e, na hora de pagar, respirou fundo e pediu um maço de cigarros. Escolheu a marca mais comum e pediu também um isqueiro.
Quando a moça do caixa lhe entregou o maldito, olhou timidamente para baixo. Sabia que o mal estava apenas começando.
Ao pagar a conta, reparou que a carteira de cigarros imprimia no verso informações sobre dependência química que poderia levar o usuário à morte. Dispensou o maço, pedindo à atendente que lhe desse o que causasse impotência sexual. Sim, impotência sexual.
Naquele momento, sexo era o que menos importava. Acender um cigarro era o prazer mais real que poderia lhe acontecer; a fumaça sairia, poeticamente, de seus pulmões, levando boa parte de seus problemas; soluções, ela esperaria que entrasse.
Sentiu-se tonta, enjoada. Apagou o cigarro na metade e escondeu o maço de si própria.

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